O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em entrevista concedida nesta sexta-feira (5), ele afirmou que considera a medida um “equívoco” e defendeu que as facções brasileiras sejam tratadas como organizações criminosas.
A classificação foi anunciada pelo governo de Donald Trump no dia 28 de maio e passou oficialmente a valer nesta sexta-feira. A decisão ganhou destaque no cenário político brasileiro após o senador Flávio Bolsonaro afirmar que havia defendido a medida durante sua recente viagem aos Estados Unidos, onde teria tratado do assunto com autoridades americanas.
Segundo Andrei Rodrigues, existe uma diferença fundamental entre terrorismo e crime organizado. O diretor da PF explicou que grupos terroristas costumam agir por motivações ideológicas, políticas ou religiosas, enquanto facções como PCC e Comando Vermelho atuam principalmente em busca de lucro com atividades criminosas, como tráfico de drogas e armas.
Para o chefe da Polícia Federal, essa distinção é importante porque as estratégias de investigação e combate são diferentes em cada situação. Apesar de discordar da classificação adotada pelos Estados Unidos, Andrei defendeu a manutenção da cooperação entre os dois países no enfrentamento ao crime organizado, na localização de foragidos e no combate ao tráfico internacional de armas e drogas.
A declaração amplia o debate sobre os possíveis impactos jurídicos e diplomáticos da decisão americana, além de evidenciar uma divergência entre a avaliação técnica da direção da Polícia Federal e a posição adotada pelo governo dos Estados Unidos.